O 1º trimestre de 2025 confirmou a resiliência do mercado imobiliário brasileiro. Segundo dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), as vendas de imóveis residenciais em 221 cidades do país subiram 15,7% em comparação ao mesmo período de 2024, totalizando 102.485 unidades. Os lançamentos acompanharam o ritmo, alcançando 84.924 unidades – alta de 15,1%.
Mesmo com a taxa Selic ainda em patamar elevado, a procura pelo imóvel próprio segue forte. O presidente da CBIC, Renato Correia, atribui o desempenho à combinação entre renda em recuperação, estabilidade no emprego e à percepção de que o imóvel continua sendo um investimento seguro.
Minha Casa, Minha Vida puxa o setor
O programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) foi o grande motor do mercado imobiliário no primeiro trimestre de 2025. Em relação ao mesmo período do ano anterior, as vendas de imóveis dentro do programa cresceram 40,9%, enquanto os lançamentos tiveram alta de 31,7%. Esses números reforçam a força do MCMV como impulsionador do setor, especialmente no segmento de habitação popular.
O Minha Casa, Minha Vida respondeu por 47% das vendas e 53% dos lançamentos nacionais. Segundo a CBIC, os bons resultados se concentram em regiões onde o MCMV é dominante, como o Norte e o Nordeste. No Sudeste, especialmente em São Paulo, também houve destaque nos lançamentos do programa. Ao todo, o tempo médio de escoamento da oferta no MCMV caiu para 6,5 meses, sinal de forte procura.
Estoque menor, preços estáveis
A oferta final de imóveis caiu 4,6%, sinalizando forte absorção pelo mercado, enquanto os preços médios apresentaram alta moderada de 1,9%, em linha com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Para Ely Wertheim, vice-presidente da Indústria Imobiliária da CBIC, quem financia imóveis hoje, especialmente pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), tende a fazer um bom negócio, com possibilidade de se beneficiar em caso de queda futura dos juros.
Perspectivas para 2025
Com o orçamento do FGTS duplicado (de R$ 80 bilhões para R$ 160 bilhões) e a consolidação da Faixa 4 do MCMV, a CBIC projeta manutenção do ciclo de alta demanda ao longo de 2025. O desafio será sustentar a oferta, principalmente no segmento econômico.
Implicações para o trabalho dos corretores de imóveis
A expansão do MCMV, que hoje representa cerca de metade das transações imobiliárias nacionais, reforça a importância de os profissionais do setor dominarem as regras do programa, suas faixas de renda e os mecanismos de subsídio disponíveis.
A redução da oferta também exige agilidade por parte dos corretores na captação de imóveis, principalmente em cidades de médio porte e nas regiões metropolitanas de Santa Catarina. Além disso, o cenário de crédito mais restrito amplia o papel do corretor como consultor, orientando clientes sobre prazos, indexadores e estratégias de financiamento.
Por fim, acompanhar tendências como imóveis compactos, retrofit e soluções sustentáveis se mostra cada vez mais relevante, especialmente para atender a um público que busca eficiência e menor custo de manutenção.
O papel do CRECI-SC
O CRECI-SC reforça seu compromisso com o fortalecimento da profissão, promovendo ações que contribuem para o aprimoramento técnico, ético e legal dos corretores de imóveis. Através de cursos gratuitos, eventos em todo o estado e orientação jurídica gratuita (que pode ser agendada neste link), o Conselho oferece suporte para que os profissionais estejam preparados para aproveitar o bom momento do mercado e atender com excelência os clientes em toda Santa Catarina.