O Governo Federal está preparando uma mudança significativa nas regras do crédito imobiliário que deve destravar bilhões de reais em financiamentos, reduzir os juros para os consumidores e dobrar o volume de crédito imobiliário no país em até dez anos.
A proposta — que deve ser oficializada até o fim de agosto de 2025 — visa flexibilizar o uso dos recursos da poupança pelos bancos, estimulando a concessão de novos financiamentos habitacionais e movimentando toda a cadeia do mercado imobiliário.
O que muda na prática?
Hoje, os bancos precisam direcionar pelo menos 65% dos recursos captados na caderneta de poupança para o financiamento imobiliário, além de manter 20% desses valores como depósito compulsório no Banco Central. Com as novas regras, essa obrigatoriedade deixará de existir, sendo substituída por um modelo mais flexível.
Pelo novo formato, os bancos poderão aplicar os recursos da poupança em outras áreas da economia, desde que mantenham o volume equivalente de financiamentos habitacionais ativos. Na prática, o crédito imobiliário funcionará como uma espécie de "chave" para liberar o uso livre desses recursos.
Haverá um período de transição de até cinco anos. Após esse prazo, os bancos que não mantiverem os financiamentos imobiliários em níveis adequados perderão o acesso irrestrito aos recursos da poupança.
Mais crédito, mais negócios
Atualmente, o volume de crédito imobiliário no Brasil equivale a cerca de 10% do PIB. É um índice baixo se comparado ao de países como Chile, Colômbia e África do Sul, que operam entre 20% e 30%. A expectativa com as novas regras é que o Brasil dobre esse volume em até uma década.
Isso representa uma excelente oportunidade para o setor imobiliário, com a previsão de mais crédito disponível, condições de financiamento mais atrativas e aumento na demanda por imóveis, especialmente entre os compradores que hoje enfrentam barreiras financeiras.
Juros mais baixos e maior competitividade
Um dos pontos centrais da proposta é a possibilidade de os bancos compensarem, com aplicações mais rentáveis, a redução dos juros do crédito imobiliário. Simulações técnicas indicam que é viável manter as taxas acessíveis ao mutuário mesmo com o uso de fontes alternativas de financiamento, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).
Se esse equilíbrio for alcançado, o crédito habitacional tende a se tornar mais competitivo, acessível e sustentável — beneficiando tanto os compradores quanto os profissionais do setor.
Efeitos em cadeia: mercado secundário e securitização
A proposta também estimula o crescimento do mercado secundário de crédito, com a ampliação da prática de securitização. Isso significa que os bancos poderão vender os direitos de recebimento dos financiamentos, antecipando recursos e reinvestindo em novos contratos, uma engrenagem que favorece a expansão do setor.
Além disso, o governo planeja reformular os contratos atrelados ao IPCA, criando um modelo híbrido que ofereça maior previsibilidade aos compradores e maior segurança aos bancos.
O que o corretor de imóveis precisa saber
Para os corretores de imóveis, essas mudanças exigem atenção redobrada e preparo técnico. A perspectiva de aumento no volume de crédito e de novas modalidades de financiamento reforça a importância de se manter atualizado sobre as regras do setor.
A orientação adequada ao cliente será ainda mais decisiva no processo de intermediação imobiliária. Entender como funcionam os novos mecanismos de crédito e identificar as melhores oportunidades para cada perfil de comprador se tornará um diferencial competitivo para os profissionais que atuam na linha de frente do mercado.
Estamos acompanhando de perto essa evolução e reforçamos a importância da capacitação contínua para que os corretores de imóveis estejam prontos para as transformações do setor. Assim como o crédito muda, o perfil do profissional também deve evoluir.
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